Descrição

"One step at a time. One punch at a time. One round at a time." - Rocky Balboa

sábado, 3 de dezembro de 2016

Fábricas de salsicha - parte 5 (200ª publicação)

Engana-se quem acha que esta é apenas a história de uma batalha jurídica.

Após a ofensa de Henrique no fim da audiência, fiz o que não poderia ter feito, como advogado, levei aquilo para o lado pessoal. Se queriam me amedrontar, ou fazer com que eu fugisse, erraram, erraram muito, porque jamais me empenhei e despendi tantos recursos para salvar um processo, à primeira vista, em direção ao naufrágio, como verão nas próximas partes.

O sangue subiu subitamente na cabeça, entrei no jogo e devolvi a ofensa a Henrique, só que, diferentemente dele, em alto e bom som. Todos me lançaram um olhar de repulsa, de imediato, até a senhora ao meu lado, funcionária da empresa que estava defendendo. Como fui ingênuo, caí diretamente na armadilha. Fique à vontade para me condenar também, eu mereço toda a reprovação possível, porque, naquela tarde, eu tombei, como um prédio implodido.

Tudo isso me deixou ainda mais nervoso. Na sequência, no auge da confusão, entrou em campo a turma do deixa-disso, e o burburinho se desfez aos poucos, como a fervura sem fogo. O que não passou foi a minha angústia. Saí do fórum com um gosto amargo, que não era, obviamente, de café.

Advogado não se envolve com o litígio, essa é uma lição que conhecia, mas ignorei. Não me contive, meus amigos, deveria ter continuado a vida, "bola pra frente". Porém, por anos a fio, ruminei aquela tarde, como fazem os mamíferos herbívoros com o alimento, é o que adianto nesta altura. De volta ao escritório, fui tratar do substabelecimento. Antes, tomei uma xícara de café para restabelecer, a xícara interrompida pela ligação.

Em razão da brecha, da pausa para o café, vou apensar algumas explicações jurídicas para melhor compreender o desenvolvimento dos fatos. Em juízo, a parte é usualmente representada por advogado com procuração (instrumento de mandato), um documento assinado pela parte, que nomeia e constitui o procurador, dando-lhe poderes para tanto, e que deve ser apresentada nos autos do processo. A Dra. Luzia - esse é o nome da colega, fictício - juntou uma procuração com os devidos poderes para representar a empresa, que, doravante, chamarei de Desalinho S/A.


Já o substabelecimento mencionado retransmitiu os poderes da procuração concedidos à Dra. Luzia a mim, para que, assim como a advogada, eu agisse no processo. O substabelecimento é feito com reserva ou sem reserva de poderes. O substabelecimento que recebi para ir à audiência era sem reserva, ou seja, a advogada que conduzia originariamente o processo renunciou ao mandato, não mais atuaria no processo.

O que aconteceu para que Dra. Luzia renunciasse? Ela não quis dizer. É claro que, mais tarde, descobri, e esse é uma assunto para ser tratado mais adiante. Por ora, vamos falar de salsicha. É, salsicha. Calma, que logo isso vai fazer sentido.

É atribuída a Otto von Bismarck a seguinte frase, que denota que tanto o processo legislativo, quanto o processo de produção desse alimento, a salsicha, são pouco nobres: "Leis são como salsichas; é melhor não saber como são feitas". As coisas evoluíram um pouco do tempo de Bismarck para cá, é verdade, com a exceção da produção de leis, que continua nojenta. Renan Calheiros e outros estão aí para corroborar o que digo.

"Prepare o seu estômago", avisei com a devida antecedência. Ainda hoje, na fabricação das salsichas em geral, utiliza-se as partes menos nobres da carne, após quase o completo aproveitamento da carcaça, seja de boi, frango ou porco: músculos e gorduras que sobraram, por exemplo, da cabeça e das patas dos animais, pele, vísceras, sangue e outros subprodutos comestíveis, tudo é triturado até se formar uma mistura uniforme. Há tantas bactérias nessa combinação, que é preciso pasteurizá-la.

Para finalizar o preparo da salsicha, são adicionados a essa mistura de aparas - para usar um eufemismo - outros ingredientes, como conservantes, condimentos, temperos e corantes. O sabor da salsicha não vem da mistura de carne e gordura, mas dos condimentos e temperos, as aparas são insossas. A coloração da salsicha, vermelhinha e vistosa para os consumidores, advém dos corantes. Salsicha é barato e parece ser bom, não é? Nem tanto, além da fabricação que embrulha o estômago, com tudo já em decomposição, o consumo de salsichas pode estar associado a diversos problemas de saúde, o câncer talvez seja o pior deles. Salsicha e outras carnes processadas são tão ruins quanto o cigarro, conforme afirmam as associações médicas. Sabe-se que não é aconselhável consumir regularmente esses alimentos.

Pois então. Na primeira leitura do processo, visualizei um emaranhado de outros processos interligados uns aos outros, como uma teia de aranha, que discutiam o crédito sobre diversos contratos e demais situações. Percebi que, se quisesse derrotar Henrique, seria preciso, antes de tudo, interromper os erros processuais, as perdas de prazos processuais e outras grosserias jurídicas cometidas nos outros processos por meia dúzia de escritórios, que, ao contrário da Dra. Luzia, trabalham como as "fábricas de salsichas". Atente-se bem a essa comparação, porque a condução dos processos por esses escritórios se dá como o processo de fabricação das salsichas, no tempo de Bismarck. Não preciso dizer mais nada.


Assim, veio à minha cabeça a ideia de entrar em contato com a Desalinho S/A para negociar os meus honorários advocatícios e prestar um serviço conjunto sobre a totalidade dos processos, a fim de evitar as sucessivas perdas, que estimei em milhões; aqueles processos foram subestimados por muito tempo, e se transformaram ao longo de todos esses anos em uma avalanche, prestes a acertar em cheio a empresa. Normalmente, os contratos firmados preveem uma cláusula que assegura o rompimento da prestação do serviço em caso de erros, e essa era a oportunidade que a empresa tinha para virar o jogo, mesmo que fosse necessário mudar de técnico durante a partida.

A Desalinho S/A é famosa por se empaturrar de "salsichas" advocatícias, gosta das "fábricas de salsichas". A empresa se acostumou a pagar um preço vil aos escritórios e já calcula como certo uma determinada quantia de dinheiro como prejuízo, a cada balanço, em razão dos péssimos serviços que contrata. Essa lógica pode ser interessante do ponto de vista econômico quando se administra pequenas perdas, uma condenação aqui, outra ali, uma coisa às vezes compensa a outra. Decerto, o problema com Henrique não estava coberto, e o valor que levantei chamou muita atenção, a ponto de se disponibilizarem para uma reunião de emergência, na mesma semana, para tratar do assunto, com toda a corte.

No dia, na hora e no local marcados, estava lá eu, com a papelada que reuni, alguns cálculos, uma proposta e a dor latente, a ferida que não se vê. Passei pela portaria, me cadastrei, fui anunciado e entrei no elevador. O prédio é antigo, e fui recepcionado novamente ao sair do elevador, no andar informado, por uma das funcionárias, com headset na cabeça:

- Doutor, a sala de reuniões é a segunda porta... aguarde um momento [dizia para alguém no telefone ou para mim?], certo, estarei enviando [sic]... segunda porta à direita, Doutor.

Certo, segunda porta... à direita, repeti para mim mesmo, ao alinhar a gravata. Enquanto andava, reparei que as paredes foram pintadas recentemente, embora mal pintadas. Havia fita adesiva se descolando, como serpentinas de carnaval sem cor, marcas de mãos do pintor, restos do pincel grudados na tinta e traços desalinhados na junção da parede com o teto, cujas cores contrastavam entre o branco gelo e o gesso. O adesivo da porta que indicava a função do cômodo, "sala de reuniões", em letras maiúsculas, parecia a Torre de Pisa, na horizontal.

Entrei, enfim, na sala. Estava sozinho. Um forte odor de tinta ainda no ar, misturado ao mau cheiro de filtro velho de ar-condicionado e de carpete. Uma corrente fria circulava na diagonal. A iluminação precária, diferente da do outro ambiente, que era bem iluminado e arejado, criava uma certa nostalgia dos ofícios do Fórum Central. Rapidamente, me acomodei à mesa retangular, e, em segundos, a sala se encheu de gerentes e analistas.

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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Resultado 11/16 = R$ 301.602,22 (-3,88%)

Uma grande tragédia aconteceu em novembro, o acidente com a aeronave que transportava a delegação da Chapecoense, jornalistas, tripulação e demais convidados do time. O voo com destino a Medellín, Colômbia, na madrugada de terça-feira (29), infelizmente, não chegou ao seu destino.

A Chapecoense estava na final da Copa Sul-Americana e jogaria hoje (30) a partida de ida contra o Atlético Nacional. Presto aqui a minha singela homenagem a todas as vítimas, parentes, amigos e torcedores. Deus os abençoe.


"Bola pra frente".

Neste mês, em vez de acumular a "gordurinha" que desejava, investi um pouco em Tesouro Direto para tentar alcançar a meta que tracei, encerrar o ano acima dos 300k. No próximo, vou reaplicar os proventos.

Curiosamente, em outubro, o patrimônio subiu com retiradas e, neste, caiu com aporte, ainda que simbólico. Não deixa de ser igualmente curioso que, pela primeira vez, a minha carteira de renda fixa obteve rentabilidade negativa.

Segue o resultado de acordo com a planilha fornecida pelo AdP:


Abaixo, a representação gráfica da alocação dos ativos, do comparativo histórico da rentabilidade e do patrimônio mensal:




No sábado, sairá o quinto episódio, o "Season Finale", da primeira temporada das histórias do meu escritório. Brincadeiras à parte, continuarei publicando mais episódios em janeiro, se Deus quiser. Aliás, quero aproveitar a oportunidade para pedir uma grande ajuda a vocês. Por favor, mandem sugestões. Quero saber se é preciso formatá-la melhor (está bem tosco o formato, eu reconheço), ou adaptá-la para que seja lida de maneira mais confortável. Ficaria legal convertê-la em vídeo? Como essa história pode chegar a mais pessoas? É uma história que vale a pena ser lida com mais partes ou com textos mais longos? Devo encerrá-la logo ou continuar?

Se preferir, pode mandar e-mail. Por exemplo, no próximo capítulo, devo revisar o texto para que não contenha erros, como sugerido. Desde já agradeço a todos.


#ForçaChape

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

"Matrix"?

Em 1999, um colega de escola, e até hoje um grande amigo, me contou que Matrix estava no cinema, inspirado no romance Neuromancer (1984), de William Gibson, um dos livros mais importantes da cultura popular, e, até mesmo, uma referência técnica do sistema world wide web. Já parafraseei alguns trechos de Gibson no blog, expressamente, se não notaram, inclusive a frase inicial de sua obra-prima, considerada em 2005 uma das cem melhores, desde 1923, em língua inglesa, pela Time.

Para quem é fã de cinema, um cinéfilo, como eu, 1999 se firmou como um ano muito produtivo comercialmente, embora curta também filmes fora desse eixo. Além da estreia de Matrix, e do anúncio do início do projeto de Senhor dos Anéis, foram lançadas produções inesquecíveis, tais como: Star Wars, o Episódio I; O Sexto Sentido, de M. Night Shyamalan (muito bom); A Bruxa de Blair; De Olhos Bem Fechados, o último filme de Stanley Kubrick; Clube da Luta; Tudo Sobre Minha Mãe, de Almodóvar (esse só assisti muitos anos depois, recomendo); Beleza Americana; American Pie (tem gosto para tudo); A Múmia (a primeira); Máfia no Divã, com Robert De Niro; O Mundo de Andy, com Jim Carrey; 007 - O Mundo Não É O Bastante; bem como a versão cômica do famoso agente secreto, Austin Powers; A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, de Tim Burton; e até um grande filme nacional, O Auto da Compadecida, da obra do "genial" Ariano Suassuna.


Naquele ano, Matrix foi lançado ainda como o filme dos irmãos Wachowski, Andy e Larry. Praticamente duas décadas depois, neste ano, tornou-se o filme das irmãs Wachowski. Tanto Andy quanto Larry se tornaram mulheres, transgêneros, e são hoje, respectivamente, Lilly e Lana. Entretanto, essa questão da mudança de sexo de ambos não é pertinente, queria apenas afirmar que Matrix é a obra-prima das duas (por isso achei melhor explicar antes sobre essa mudança), e, sobretudo, muito provavelmente continuará sendo o melhor filme delas, a julgar por Speed Racer (2008) e, o mais recente fracasso, Jupiter Ascending (2015); sem mencionar as próprias continuações de Matrix, Reloaded e Revolutions (2003). V de Vingança (2006) é assunto para outro dia.

Jamais me esquecerei do momento em que soube da estreia de Matrix, porque sou fã de cinema, e também de ficção científica. Em 1999, na minha casa não havia Internet ou TV a cabo, a primeira estava cancelada, a segunda tive em casa depois que me casei. Ora, e os canais abertos da televisão não davam muito espaço para o cinema na década de 1990; nem hoje, é verdade. Então, esse meu colega que mencionei era a minha principal fonte de informação, ao lado do rádio, que tocava música, falava do tempo ou do trânsito e noticiava headlines dos jornais.

Não sou mais jovem, de fato, nem sequer legalmente. E, não obstante a minha sujeição à lei de Cronos, não sou, contudo, tão velho assim como o que escrevi pode ter soado. Porém, sabe-se que ouvir rádio era um hobby em 1999 não tão estranho como pode parecer no decorrer do século XXI, uma distração que possuía enquanto digitava trabalhos de faculdade, "cinquenta centavos por folha, com impressão". É, aquele ano representou igualmente, caso não tenha dito antes, os primeiros passos da minha vida no mundo do trabalho, absolutamente simplórios. Alguns meses antes, concluí o meu curso de datilografia.

Entrar no mundo do trabalho não é nada glorioso. Consegui uma renda de dois salário mínimos... no ano todo. Tomei muitos calotes, principalmente com cheques, sofro ainda hoje quando vejo um cheque na minha mão, pois sempre me lembro das temidas alíneas 11 e 12, carimbadas no verso. Acredita que um dos clientes sustou um cheque de 15 reais por extravio? Quem diabos se dá ao trabalho de ir no banco, pegar uma fila enorme (estávamos no fim da década de 1990, filas terríveis) e sustar um cheque para não ter que pagar 15 reais!? Não é possível cobrar alguém assim, nem o Que-Diga.

Desde aquele tempo não sabia ganhar dinheiro, gastar eu aprendi. Gastei mais da metade do que ganhei em um aparelho portátil de CD e meia dúzia de álbuns. A outra metade se esvaiu em algumas camisetas, refrigerantes e sanduíches - não sabia nada sobre finanças.


Para ir ao cinema - é aqui que, surpreendentemente, se encaixa a rádio - existia um programa de uma determinada estação que distribuía ingressos dos lançamentos, por cortesia, não me perguntem qual. Sorteava-se, propunha-se desafios ou charadas, enfim, até repetir o nome de alguma marca ao vivo valia um ingresso. Assisti a vários filmes dessa forma, qualquer filme; para ilustrar, vi todos os lixos do Van Damme: finais repetitivos do tipo bate-golpe-baixo-apanha-vence o elemento que sequestrou, matou, ofendeu, ou sei lá, alguém próximo do incansável lutador (os mais velhos se recordarão da fórmula saturada dos filmes de luta americanos).

Saía da escola sempre em um dia específico da semana, e ia na estação buscar os ingressos. A validade das cortesias era curta e se limitava às terças, quartas e quintas, salvo engano. Todavia, talvez pela enorme procura, ou por um lapso meu, não participei de nenhuma promoção para ganhar os ingressos de Matrix. O filme sairia de cartaz sem vê-lo na telona, na verdade. Desesperado, cheguei a procurar o emissor do cheque de 15 reais, tudo em vão, claro.

Vi o filme, por fim, em um CD pirata, imagem de cinema, que outro colega me emprestou. Imagem péssima, som péssimo, mal dava para diferenciar o Neo, interpretado por Keanu Reeves, do seu mestre, Morpheus. Confesso a vocês, detestei o filme, a princípio, e não só pela má qualidade da gravação, o filme não tinha muito a ver com o livro, Neuromancer, exceto pelo mote da "Matrix", criada por William Gibson, que nada mais é do que o conceito de ciberespaço, e, a princípio, de Trinity, baseada em Molly Millions. Fiquei frustrado. Neo não é o anti-herói Case; um vivia no ciberespaço, o outro, condenado a não estar mais lá.

No entanto, é preciso confessar, Matrix foi muito além do enredo de Neuromancer, porquanto trouxe ao filme uma salada de frutas filosófica, em sentido lato, como em O Mundo de Sofia. Vejo muita gente dizer que "saiu da Matrix", mas é um equívoco dizer que a "Matrix" é o espaço da alienação, de quem não enxerga a "realidade", conforme o seu significado original, de Gibson, haja vista que o sentido é, repita-se, o de ciberespaço, esse lugar onde você está agora "reunido" com outras pessoas.

Então, de onde vem essa concepção de um espaço de alienação no filme Matrix? Bem, esse é um conceito filosófico muito mais antigo, e que, no filme, foi fundido à ideia de ciberespaço, de William Gibson, esse conceito é o mito da caverna, de Platão, tratado em uma passagem de A República, do filósofo grego. O mito da caverna, ou alegoria da caverna, é uma das metáforas mais importantes do nosso mundo, da realidade em que a gente vive. Em vez de explicar o que é a "caverna de Platão" de maneira teórica, se por acaso não conhece, separei um vídeo bem simples que a mostra, em imagens, com pouco mais de dois minutos de duração, para não perder o fio da meada.


Viram? Conseguiram identificar as semelhanças com o filme Matrix? As irmãs Wachowski deram uma nova roupagem ao ciberespaço, transformaram-no na alegoria da caverna de Platão de uma sociedade da informação. Em Matrix, há dois exemplos antagônicos de como encarar a "realidade". De um lado, Neo, que se adapta à "nova" realidade, e, do outro lado, Cypher, que não se adapta. Cypher seria Lúcifer? Talvez, e certamente Neo é uma espécie de Messias, como Jesus, Buda ou Krishna. Há muitos elementos extraídos das religiões também em Matrix, como podem notar, tanto quanto da mitologia grega, como o Oráculo e Morpheus, este que é ainda baseado em outra obra, de Neil Gaiman, chamada Sandman.

Depois de alguns anos, voltei a assistir Matrix, com qualidade, quando lançaram o DVD. É um trabalho sensacional, sob o aspecto estético, sem dúvida, um dos marcos do cinema. Nada obstante, ao abordar a distorção sobre a realidade, Matrix é somente outro anão sobre os ombros de Platão... ou o ciberespaço seria mesmo "a" caverna?