Descrição

"One step at a time. One punch at a time. One round at a time." - Rocky Balboa

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Calcule a concorrência real de cada concurso

A concorrência é um dos dados importantes para quem quer ingressar no serviço público.

Após o término do período de inscrição, as bancas normalmente divulgam quantos candidatos estão na "maratona". Dependendo de quem faz a prova, a concorrência se torna crucial para que o candidato adote a melhor estratégia. Apenas para ilustrar o paralelo entre o número de candidatos e as diferentes estratégias, caso a concorrência for baixa em uma prova típica do Cespe, em que se atribui pontuação negativa às questões erradas, o candidato deve adotar uma postura mais defensiva, marcando no gabarito definitivo somente as respostas que possui muita confiança. Do contrário, se a concorrência é muito alta, o candidato deve adotar uma estratégia oposta, ou seja, é indicado correr mais riscos, sob pena de não alcançar a nota de corte.

A partir de agora, utilizarei imagens de domínio público do Pixabay

Outro exemplo, mais claro, diz respeito à preparação. Em regra, um concurso mais concorrido demanda uma preparação mais longa, e assim por diante.

Assim que a concorrência é publicada pela organizadora do concurso, em geral, o candidato costuma dividir o número de inscritos pelo número de vagas para saber quantos disputam cada um dos lugares ao sol. Já ouvi alguns "concurseiros" dizendo também que calculam a concorrência na proporção de 10% ou 30% dos candidatos, como se os demais estivessem "fora do páreo", como realmente ocorre em uma maratona.

Ao obter a concorrência, seja como for, o candidato poderá compará-la com o certame anterior, e planejar o que fará até o dia do teste, ou, pelo menos, para os otimistas, o número em questão poderá servir sempre como catalisador na preparação.

Fato é que, pessoalmente, desaprovo os dois tipos de cálculo, porque traduzem o ponto de vista de quem está selecionando, e não do candidato. Ora, dividir 1.000 inscritos por 10 e encontrar 100 para cada vaga não faz sentido algum, uma vez que o candidato não disputa as 10 vagas, mas apenas uma, de modo que trata-se de uma relação ideal entre um número e outro. Sem mencionar o quão arrogante soa excluir 90% de médicos, por exemplo, em um concurso para otorrinolaringologista em alguma Prefeitura, candidatos que se especializaram e provavelmente praticam o que aprenderam no dia a dia.


Por isso, eu costumo utilizar um cálculo diferente para efeito de comparação com o concurso anterior, e que acho, matematicamente, mais apropriado para ter uma noção acerca da concorrência. Em vez de dividir, na mesma hipótese de 1.000 candidatos para 10 vagas, eu subtraio 9 de 1.000, cujo resultado considero a concorrência. Em outras palavras, estaria em tese disputando a minha vaga com outros 991. Para tornar ainda mais apropriado o cálculo, retiro, de acordo com a prova, a porcentagem de ausentes, número que não varia muito para cada tipo de concurso.

Assim, em um concurso para técnico judiciário, em que a quantidade de ausentes é alta - só para argumentar, supõe-se que seja de 15% - naquela hipótese, a concorrência real seria de 842 para a vaga que se disputa, e não de 100 por vaga, independentemente se vai passar em primeiro ou na décima posição.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Não existe fila para passar em concurso público, e sim uma maratona

No mercado existe uma série de empresas que fornece todo tipo de produto e serviço direcionados à preparação de candidatos para passar em concursos públicos, como livros, e-books, apostilas, cursos presenciais, videoaulas, orientação, e assim por diante.

Tita Sena, brasileiro que conquistou o ouro na maratona das Paralimpíadas de Londres

Há estimativas de que se trata de um mercado bilionário, e que cresce mesmo em tempos de crise, em razão do aumento da procura por estabilidade e altos salários, proporcionados pelo topo da carreira do serviço público, especialmente quando o desemprego cresce.

Sem informação e ansiosos, muitos candidatos compram, apenas para ilustrar, apostilas digitais que nunca vão terminar de ler (ou mesmo começar), bem como cursos que, com o passar do tempo, não terão condições de continuar frequentando. E, ainda assim, edital após edital, erro após erro de preparação, por que os candidatos continuam comprando apostilas e cursos que não aproveitarão até a data da prova?

A resposta a essa pergunta não é tão simples. Além de inúmeros fatores pessoais, como a falta de determinação e estrutura para suportar a jornada de aprendizagem, uma metáfora contribui muito para nutrir a ilusão de uma massa de candidatos, a chamada "fila do concurso".

A fila do concurso é traduzida pela ideia de que um dia chegará a sua vez, caso continue tentando. No entanto, na realidade, tal mecanismo obviamente não existe, uma vez que, em concurso para magistratura, por exemplo, não raro, um candidato com poucos anos de estudos é aprovado, enquanto outro com mais de dez anos, não.

Por isso, em vez de encarar o concurso através da metáfora da fila, é importante compreender que há diferentes níveis de preparação dos candidatos e identificar qual é o seu, a fim de planejar melhor a sua preparação até a prova. É a hora de comprar livros mais densos ou apostilas? Obter um direcionamento geral da matéria em cursinhos ou aprofundar o conteúdo?

Mas, se apenas procura um símbolo para se manter entusiasmado, prefira enxergar o concurso como uma maratona, um teste de força e resiliência, e não de paciência, ou estático, como a fila. A cada nova prova da "maratona", tire lições, observe onde errou, refaça estratégias para obter um "tempo" melhor, e, se não deu certo, continue a preparação para melhorar no próximo teste.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Rocky steps (agosto/16) - a última atualização mensal

Olá, meus caros!


Podem ficar tranquilos, ao contrário do que o título pode sugerir, não vou desistir do blog, pelo menos não agora, não obstante a recente e triste baixa do amigo Pobretão, que resolveu nos abandonar temporariamente.

Apesar de que não vou entrar no mérito dessa discussão aqui, neste momento, acerca do polêmico episódio, gostaria que ficasse registrado que muitos sentirão a falta dele na blogosfera, que, graças a Deus, parte por circunstâncias diversas, por exemplo, do Investidor Matuto, mas não deixa de ser triste também.

Entre 2011 e 2012, não me recordo o momento certo, conheci o Pobretão ao ler os comentários do blog do Fábio Portela, o já extinto O Pequeno Investidor. E uma das razões de ter criado o blog em 2012 foi justamente para participar do ranking promovido pelo Pobretão. Assim como eu, muitos entraram para a blogosfera de finanças ao conhecê-lo, e então puderam aprender tanto quanto contribuir com a disseminação de um estilo de vida alternativo, diferente das pessoas em geral que vivem a crédito.

Voltando ao assunto do título, como sabem, todo mês, há mais de três anos, desde agosto de 2013, eu registrei o alcance da independência financeira através do "Rocky steps", cuja fórmula é a divisão da média mensal de proventos recebidos no semestre pelo valor de 10 mil reais, calculado em junho de 2013, valor que era atualizado pela inflação oficial duas vezes por ano.

Em razão do trabalho para contabilizar o número todos os meses, além da falta de interesse em fazê-lo, já que estava demasiadamente enfadonha a publicação para quem acompanha o blog, resolvi que, de agora em diante, farei a atualização somente nos meses de junho e dezembro, ou seja, no fim dos semestres.

Além disso, ao invés de atualizar o valor da independência financeira para frente, ou seja, para compará-la com os meses seguintes, farei o cálculo retrospectivamente, o que considero mais fiel para apuração do alcance da IF.

Assim, segue o gráfico do último fechamento mensal, relativo a agosto de 2016:


E segue abaixo o novo gráfico, com os valores corrigidos, referente a junho de 2016, bem como a respectiva planilha, para melhor compreender a mudança:



Então é isso, até dezembro, o mês do próximo fechamento do "Novo Rocky steps".

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Resultado 08/16 = R$ 315.848,37 ou -4,5%

"Verba volant, scripta manent", como diz o Presidente.

Mais uma atualização mensal brevíssima.


A rentabilidade foi ruim, e a retirada, fruto do que disse anteriormente.

Resultado conforme a planilha fornecida pelo AdP:


Segue agora a representação gráfica da alocação dos ativos, do patrimônio mensal e do comparativo histórico da rentabilidade:




O que perdi no mês passado recuperá-lo-ei antes do fim de setembro.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Três concepções básicas sobre o CDI

CDI é o acrônimo de Certificado de Depósito Interbancário, títulos negociados apenas entre as instituições financeiras relacionados à fluidez do mercado.


A taxa do CDI traduz, de certa forma, os custos em geral suportados pelos bancos para oferecer crédito aos mutuários e, consequentemente, é também um parâmetro para definir a remuneração das aplicações captadas e dos créditos contratos.

Por exemplo, hipoteticamente, a remuneração de um CDB pode representar 90% do CDI, ao passo que um financiamento de um veículo ao cliente bancário pode ser realizado com a cobrança de juros equivalentes à taxa do CDI, acrescido de mais 6% ao ano. É sob essa lógica que, a propósito, os bancos lucram, e essa diferença entre a taxa captada e aquela que empresta é chamada de spread bancário.

Por isso, assim como a Selic, denomina-se a taxa do CDI, ou, coloquialmente, o CDI, de "taxa livre de risco", esta que se tornou uma referência em todo o mercado financeiro para medir o quanto determinada rentabilidade é satisfatória (quando está acima) ou não é satisfatória (abaixo da taxa).

Conforme a Cetip, hoje, 24 de agosto de 2016, a taxa do CDI é de 14,13% ao ano.

É preciso que o pequeno investidor compreenda pelo menos três concepções básicas sobre o CDI para alcançar a independência financeira.

1 - Superar a inflação não é tão importante quanto superar o CDI

O CDI é normalmente superior à taxa oficial de inflação, e a comparação histórica entre ambos revela que o CDI remunera de fato o investimento, enquanto a correção do índice inflacionário essencialmente recompõe o poder de compra da moeda.

Portanto, se determinada aplicação obtém uma rentabilidade equivalente à inflação, não há nenhum ganho. Mas, se o seu investimento possui uma rentabilidade igual à respectiva taxa de CDI no longo prazo, há necessariamente ganho, e não só recomposição.

2 - A taxa do CDI não serve só para renda fixa

Apesar de que a taxa mencionada é frequentemente utilizada como referência para a remuneração da renda fixa, especialmente pelos bancos quando captam recursos - como já é sabido - eu costumo utilizar a cada mês o CDI para balizar, no longo prazo, todas as minhas estratégias de investimentos na renda fixa ou variável.

Aliás, esse é um ponto importantíssimo para a renda variável. Como visto antes, vencer o CDI determina que a sua estratégia está de fato remunerando os seus investimentos. Portanto, investir em ações, por exemplo, e superar o CDI comprova que vale a pena correr os riscos da renda variável, haja vista que não é comum encontrar taxas superiores ao CDI na renda fixa (não se esqueça do spread).

3 - O pequeno investidor pode (e deve) vencer o CDI no longo prazo

Ainda que você não tenha um conhecimento aprofundado sobre o mercado financeiro, ou mesmo tempo para adquiri-lo, e nem sequer disponha de acesso a serviços financeiros exclusivos para grandes investidores, como aplicações de renda fixa, fundos e títulos de crédito com remunerações realmente atrativas, é possível vencer sim o CDI.

Não é tão fácil, infelizmente, superar as taxas livres de risco. Todavia, sem dúvida, o primeiro passo para vencer o CDI no longo prazo é fugir de aplicações ruins, bastante populares no Brasil, como a poupança, além de outros serviços bancários cuja remuneração é até mesmo pior do que a da própria poupança, como já mostrei aqui.